terça-feira, 27 de novembro de 2018

RAMSÉS II: O GRANDE FARAÓ

Tudo na vida de Ramsés II é opulento: viveu até os 90 anos (67 deles governando o Egito), venceu batalhas, construiu uma capital. E ainda manteve oito mulheres oficiais e uma centena de amantess

O reinado de Ramsés II é, de certa forma, como as pirâmides – um símbolo da opulência egípcia. Chamado de Ramsés, o Grande, tudo na vida deste faraó é vultoso. Viveu 90 anos, dos quais 67 à frente do governo. No começo de seu reinado, partiu para Qadesh, cidade que demarcava o limite entre os impérios egípcio e hitita, enfrentou sozinho 2 500 bigas inimigas e saiu vivo – “com a ajuda de Amon-Rá”. Ramsés ainda fundou uma nova capital no norte do Egito, Pi-Ramsés, cobriu o seu país e a Núbia (atual Sudão) de monumentos aos deuses e estabeleceu uma paz no reino de cerca de 50 anos. O mais bem-sucedido faraó entre os deuses vivos teve tempo de ter oito rainhas – das quais Nefertari era a preferida –, mais de uma centena de esposas secundárias e concubinas e quase 200 filhos. Se não bastasse, a biografia de Ramsés II tem espaço também para controvérsias: é considerado por alguns pesquisadores como o faraó do Êxodo, a libertação dos hebreus relatada na Bíblia. Nesta entrevista, o faraó fala sobre seus feitos e polêmicas
História - Existe algo que intriga os pesquisadores até hoje: o que aconteceu realmente na batalha de Qadesh, logo no início do seu reinado?Ramsés - Ainda é difícil falar dessas coisas, mesmo 3 300 anos depois... Tudo aconteceu na primavera de 1274 a.C. Eu acreditava numa vitória fácil sobre os hititas. Assim, logo de início, consolidaria os feitos de meu pai, Sethi I. Mas não foi desse jeito. Estava perto do acampamento egípcio liderando a coluna de Amon, uma das quatro que levei, quando, de repente, uma nuvem de hititas furou a coluna e atacou o campo... Foi o terror! Invoquei Amon-Rá, meu deus. Com ele, enfrentamos sozinhos as milhares de bigas hititas.
Desculpe, Ramsés, mas realmente Amon-Rá interveio nesta batalha? Fala sério...
Tenho que confessar que uma tropa de elite surgiu, vinda de Amurru (atual Líbano), e manteve nossa posição até que outra coluna, a Seth, chegasse e nos salvasse. Não perdi e nem ganhei, e ainda consegui um tratado de paz duradouro com os hititas. E mais: uma nova esposa para o meu harém. Imagine para onde iria minha reputação se eu chegasse ao Egito dizendo que tomei uma coça dos hititas... Por isso sou um fiel devoto de Amon-Rá.
Mudando de assunto, você foi um dos faraós que conseguiu se tornar deus com culto ainda em vida. Como foi isso?
Antes de mim, Amenhetep III e Akhenaton tentaram, mas, cá entre nós, não tinham a minha competência. Se fosse nos dias de hoje, é como se o chefe do seu país – vocês chamam de presidente, né? – tivesse templos, santuários com suas estátuas. E, todos os dias, vocês fizessem preces e oferendas de pão, carne e cerveja para ele, pedindo trabalho, saúde, casamento, aumento, divórcio, essas coisas. Era assim que era feito comigo. Visite o templo de Abu Simbel no sul do Egito e você verá como fico bem entre os principais deuses no santuário. Ser deus é bom, ser rei também, mas ser ambos não tem preço. Vocês não sabem o prazer que dá.
Ouvimos sempre falar de suas centenas de mulheres e filhos. É tudo verdade?
Claro! E você tem dúvida? Tanto é verdade que construí uma tumba para os meus filhos, que aqueles seres horrendos, os tais egiptólogos, acabaram descobrindo e chamaram de KV5. Até agora eles descobriram 130 câmaras e acham que pode ter 200. Só que eu não vou dizer quantas eram. Agora que abriram a tumba, que trabalhem até encontrar.
Pelo jeito, você não gosta dos egiptólogos. Por quê? Foram eles que o transformaram num cara famoso hoje.
De fato, devo agradecê-los pelo que fizeram pela minha imagem nos últimos séculos. No entanto, tumba uma vez fechada não deve ser aberta. Eu sei que você vai dizer que havia ladrões de tumbas, blablablá. Mas já acordou com um monte de gente mexendo em você? Fazendo exames e exames? Mexendo no nariz, na boca? Pelo amor de Amon-Rá, isto não é nada agradável! Ah, como era bom o tempo em que eu podia visitar minha múmia na tumba sem ninguém por perto para perturbar...
Mas hoje sua múmia mora no Museu do Cairo e milhares de pessoas o visitam todos os anos. Isso não é incômodo?
Até era, mas agora as pessoas devem ficar em silêncio, não podem fazer movimentos bruscos – e, além disso, o ar purificado e condicionado é divino. E tem outra: tenho a companhia de outros como eu. Quando todos vão embora e fecham o museu, nós nos levantamos e vamos jogar sinete (antigo jogo egípcio) para passar o tempo.
Nefertari era mesmo sua rainha favorita?
Nefertari, Nefertari... Eu a amava profundamente. Construí um templo para ela próximo ao meu, em Abu Simbel. Só para ela fiz isso. Era meu braço direito. Você sabia que ela foi atuante nas relações diplomáticas entre o Egito e Hatti (o país dos hititas na Turquia)? Grande mulher.
Qual é o segredo da sua longevidade? Afinal, foram 90 anos numa época em que poucos chegavam aos 35.
Esse é um segredo que vai morrer comigo (risos). Talvez a opulenta e atlética vida que tive possa ter influenciado nisso. Talvez tenha sido uma dádiva do meu pai Amon-Rá. Talvez por eu ter uma família extremamente numerosa... Quem sabe?
E essa história do Êxodo dos hebreus? Foi mesmo no seu reinado?
Aprendi na internet no Museu do Cairo que não se discute religião, futebol e política. Posso dizer o que escuto nos corredores.
Não é a mesma coisa, mas gostaria de ouvir assim mesmo.
Os pesquisadores não acreditam nisso. Alguns acham que, se o Êxodo aconteceu mesmo, os hebreus atravessaram o mar de Juncos, que é bem rasinho, e não o mar Vermelho. No meu tempo não tínhamos nem um nome para os hebreus. Diversos grupos do Retennu (atual Palestina) eram chamados de apiru. Só por volta de 1100 a.C. meu filho Mer-en-Ptah escreveu pela primeira vez o nome Isr numa estela, quando conquistou a região. O nome foi traduzido como Israel depois.
* Júlio Gralha é historiador e mestre em Egito antigo pela Universidade Federal Fluminense

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Livros
Ramsés II Soberano dos Soberanos, Bernadeth Menu, Objetiva, 2002
A historiadora mostra como as qualidades de Ramsés faziam dele faraó por excelência
Deuses, Faraós e o Poder, Júlio Gralha, Barroso/Hemus, 2002
O livro aponta o papel de vários faraós na manutenção da teocracia do Egito
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Informações gerais do site
Estrutura: KV 5 
Localização: Vale dos Reis, Vale do Leste, Tebas Cisjordânia, Tebas 
Proprietário: Filhos de Ramsés II 
Outras designações: 5 [ Lepsius ], 8 [ Feno ], Início da escavação ou da boteia [Descrição ], M [ Burton ] 
Tipo de local: Tomb 

Descrição: KV 5 está localizado no principal riacho do Vale dos Reis. O túmulo pode originalmente ter sido uma dinastia18 túmulo (composto de câmaras 1, 2 e parte de 3) usurpado por Ramsés II como o local de sepultamento de vários de seus principais filhos. Ainda sob escavação, o túmulo até agora revelou 121 corredores e câmaras.Como a tumba parece ter várias seções bilateralmente simétricas, é provável que o número de câmaras aumente para 150 ou mais nas temporadas subsequentes. O próprio KV 5 é o maior túmulo do Vale; A câmara de pilares 3 é a maior câmara de qualquer tumba no Vale dos Reis. 

Pelo menos seis filhos reais foram enterrados em KV 5. Como existem mais de vinte representações de filhos gravados em suas paredes, pode ter havido muitos filhos enterrados no túmulo. 

O túmulo é decorado com cenas do ritual de abertura da boca(câmara de pilares 3) e representações do rei, príncipes e divindades (câmara 1, câmara 2, portão 3, câmara de pilares 3, corredor 7, câmara 8, portão 9, corredor 12). 

Características notáveis: O plano geral desta tumba é incomum: há uma mudança no eixo principal da tumba após a câmara 3; várias câmaras estão debaixo de outras câmaras; dois corredores se estendem em direção ao noroeste, abaixo da entrada e da estrada em frente ao túmulo; o plano é diferente de qualquer outro túmulo real. A câmara 3 em pilares tem mais pilares (dezesseis) que qualquer outra câmara no Vale dos Reis. figura de Osíris esculpida no recesso no final do corredor 7 é única. 
Eixo em graus: 134,18 
Orientação do eixo: Sudeste
Localização do site
Latitude: 25.44 N 
Longitude: 32.36 E 
Altitude: 169.87 msl 
Norte: 99,637.895 
Leste: 94,095.771 
JOG referência do mapa: NG 36-10 Província 
moderna: Qena (Qina) 
antigo nome : 4º Egito Superior 
Pesquisado por TMP: Sim
Medições
Altura máxima: 2,85 m 
Largura mínima: 0,61 m 
Largura máxima: 15,43 m 
Comprimento total: 443,2 m 
Área total: 1266,47 m² 
Volume total: 2154,82 m³
Informações Adicionais sobre o Túmulo
Local de entrada: Valley floor 
Tipo de proprietário: Prince 
Tipo de entrada: Escadaria 
Divisões interiores: Corredores e câmaras 
Tipo de eixo: Em linha reta
Decoração
Grafitti 
Painting 
Levantou relevo
Categorias de objetos recuperados
Restos humanos 
Joias 
Mamífero restos 
Objetos religiosos 
Equipamento 
para 
sepulturas Transporte Embarcações 
Documentos escritos 
História do site
Um pequeno túmulo que talvez datasse da Dinastia 18 foi apropriado por Ramsés II e consideravelmente ampliado em várias fases. Não há evidência de reutilização de KV 5 após o reinado de Ramsés II. O túmulo foi visitado pela primeira vez nos tempos modernos por James Burton, que mapeou suas nove primeiras câmaras. Sua maior extensão foi realizada pelo Theban Mapping Project em 1995, e mais câmaras continuam sendo descobertas até hoje.
Namoro:
Este site foi utilizado durante o (s) seguinte (s) período (s):
Novo Reino, Dinastia 18 (entrada A, câmaras 1 e 2, e parte da câmara de pilares 3) 
Novo Reino, Dinastia 19, Ramsés II
História da Exploração
Burton, James (1825): Mapeamento / planejamento 
Carter, Howard (1902): Visita 
Theban Mapping Project (1987-): Epigraphy 
Theban Mapping Project (1987-): Escavação 
Theban Mapping Project (1994-): Conservation 
Theban Mapping Project (1995) -): Fotografia 
Conservação
História da conservação: A tumba está atualmente passando por trabalhos de engenharia e conservação, uma vez que continua a ser desmatada. 
Condição do site: O túmulo foi roubado na antiguidade. Desde então, foi atingido por pelo menos onze inundações causadas por fortes chuvas no vale. Estes encheram completamente o túmulo com detritos e danificaram seriamente as suas paredes de decoração abrangente. De 1960 a 1990, os ônibus de turismo estacionaram acima do túmulo; suas vibrações causaram sérios danos a partes da tumba perto da estrada, assim como uma linha de esgoto com vazamento instalada sobre a entrada quando a casa de repouso do Vale dos Reis foi construída.


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